Where does the magic happen?

Carlos Saul Duque

Tempos atrás vi esta imagem no FaceBook de um amigo meu. Achei tão bacana que pedi para a Criação da Dez usá-lo como briefing para um cartaz da agência. O resultado está abaixo. Nos ajude a escolher um deles votando no que você acha mais bacana. O mais votado vai ser impresso e os criadores vão ganhar muitos pontos com a Direção de Criação. Vote pelo número, nos comentários do post:

#1

 

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#9 (série)

 

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#12

#13

#14 (série)

 

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A Mecânica da Rede

Fabiana Iglesias/Fabiano Goldoni

Trabalhamos com comunicação e internet há mais de 10 anos e ainda escutamos frases entusiasmadas sobre o advento da internet em nossas vidas, na comunicação das pessoas e de como modificou o hábito de consumo e comportamento do ser humano. Ainda assim, paira no ar um cheiro de mofo nos ambientes que trabalham com comunicação e que ainda não entenderam a dinâmica da internet. É compreensível de nossa parte essa falta de entendimento sobre certos assuntos. O conhecimento tem trânsito livre, porém, algumas mentes seguem fechadas. Ainda existem pensamentos simplistas que dizem que internet é um meio de comunicação. Na verdade, a rede é muito mais que isso: é um ambiente de interação social.

A maior parte da mão de obra ativa, gestores e dirigentes do mercado de comunicação nasceram no final da chamada “Era da Revolução Industrial Brasileira” (Meados dos anos 60). Logo, toda a matriz cognitiva e o entendimento do mundo tecnológico estão baseados nos fundamentos da mecânica. Para estas gerações o raciocínio de funcionamento das coisas se fundamenta em sistemas de engrenagens, no motor e em conexões físicas das coisas. Só Deus sabe o quanto é difícil explicar para nossos pais (que são pessoas esclarecidas) como a rede wifi funciona. Eles nunca conseguem pensar além dos fios. Se não tem fio, não existe conexão. É o óbvio para a lógica mecanicista.

A comunicação não passa ilesa por essa lógica. Os grandes canais de mídia e editorias são conhecidas da publicidade há várias décadas. Estes canais foram responsáveis por formar opinião, criar grandes marcas, consolidar hábito de consumo e vender produtos através de mensagens de mão única. Por isso, é muito complexo para algumas pessoas entender um ambiente onde toda audiência é capaz de responder à mensagem do patrocinador. E é ainda mais difícil para a chamada mídia tradicional aceitar que na internet pessoas são canais tão poderosos quanto um sinal de TV aberta. Assim, para muitas pessoas, é quase impossível entender o planejamento de uma determinada campanha que estima seu sucesso através do canal de um menino desconhecido para a mídia tradicional, mas que vive uma notoriedade maior que qualquer artista de Hollywood na internet. É difícil compreender esta situação quando se pensa em indústria. Indústria criativa, indústria da propaganda, indústria de mídia e indústria das grandes editorias. Esta indústria velha e conhecida é o porto seguro dos que não enxergam os fios do wireless. Na internet, a “indústria” somos todos nós.

Engenharia Social

Estamos vivendo na era da sociedade da informação, e esta informação é descentralizada. A internet possibilita a seleção de infinitos canais que cruzam por afinidade com diferentes públicos, que por sua vez, também são totalmente segmentados. A engenharia aplicada para fazer fluir uma informação não é mais industrial e sim social. Os planejadores que montam estratégias on-line, são na verdade engenheiros sociais. Conseguir atenção em rede depende de um estudo quase que antropológico dos hábitos sociais, de análise de comportamento e estudo psicológico das pessoas envolvidas. Cada ideia sugerida tem que ser validada, testada e invalidada diversas vezes. Pensar para a internet é pensar em profundidade. Nossa indústria não tem parafuso ou engrenagens, mas sim uma complexa malha entrelaçando Canais X Interesses. Por mais simples que essa teoria pareça, a prática demanda muito conhecimento, além de dedicação e atenção continuas.

Dialética das Engrenagens

Se todos nós somos o meio, quem envia a mensagem? A resposta é “todos”. Nós, que trabalhamos com comunicação na rede, temos uma visão orgânica do fluxo da informação. Não temos a pretensão de ditar conceitos e empurrar mensagens invasivas. Falamos a língua da rede, os assuntos da rede e, por isso, direcionamos nossa mensagem através da informação. O profissional de comunicação que entende a linguagem da internet é, acima de tudo, um profissional social. É alguém que, mais do que socializar, entende a dialética dos grupos e o comportamento das pessoas.

Algumas empresas já estão colhendo frutos da nossa nova indústria social. São marcas lideradas por profissionais que compreenderam que a atenção das pessoas está direcionada para a sociedade da informação e para a rede de contatos da internet. São gestores e empreendedores que entendem que a opinião das pessoas é formada por outras pessoas e não tanto como era no passado através da comunicação invasiva. O resultado dessa mudança de visão empresarial é extremamente positivo, pois, na internet, as marcas sentem o pulso do consumidor. Sabemos imediatamente quando uma ação está tendo êxito ou se precisamos lançar o plano B ou C. Na internet, tudo é mensurável. As redes sociais só parecem um ambiente fora de controle para quem não entende a sociedade da informação, para quem não entende como funcionam as engrenagens sociais dentro e fora da web.

Parque Industrial Social

Conhecer e entender a internet é, na verdade, uma forma de ver o mundo. É um estilo de vida. A internet foi criada de forma colaborativa, tanto na infraestrutura quanto no que diz respeito ao conteúdo. Não existe uma pessoa empresa ou conglomerado responsável pela internet. Empresas como Google, Facebook, Microsoft, AOL e Apple desenvolvem tecnologias e sistemas para que as pessoas construam a internet. Tais empresas não são responsáveis pela internet. Elas nos deram os meios e, com isso, nós estamos dando forma à rede. É como um grande parque industrial onde as empresas só construíram os edifícios e galpões. E cabe às pessoas decidirem como vão produzir a informação. Portanto, se você, que faz parte da era industrial, quiser entender a internet, não tente procurar no Google por um “manual da internet”. Isso não existe. O manual a ser seguido é empírico, assim como a internet.

(A ilustração deste post é de Alex Eylar, criador de cenas com Lego. Confira mais do trabalho dele sobre cinema aqui e outras coisitas no flickr do rapaz.)

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Meninos, eu ouvi

Carlos Saul Duque

Andar a pé e de bicicleta pela cidade proporciona um contato único com a realidade. As frases e expressões que aparecem quando a gente espera o semáforo de pedestres abrir, ao passar pelos personagens clássicos das ruas, é um manancial incrível da novilíngua popular brasileira. E com a veloz onlainização nacional, muita coisa fantástica também está aparecendo na rede mundial de computadores. Atendendo a pedidos, aqui está a primeira edição do

Enriqueça seu vocabulário com a classe analfabeta emergente.

Chute alonga distância: bicão que faz a bola ir mais longe do que se pensava.

Ambiente requentado: lugar chique, mas muito calorento.

Parafuso floxo: pessoa que tem o célebro mól.

Drogadilho: jogo de palavras dos ruim.

Splint: ar-condicionado daqueles de duas partes

Long Net: cerveja de garrafinha.

Partilera: táuba presa em duas mão francesa.

Mendingo: podia tá roubando, podia tá matando, mas tá pedindo.

Ilusão idiótica: piração do mané.

Janela vasculhante: aquela que abre uma fresta pra você vasculhar os vizinhos.

Denso: situação de quem está com o sistema nervoso.

Raibão: óculos de escuro.

Estive Cegal: ator brucutu.

Home teacher: tres-em-um moderno.

Indiota: indião meio ruim das faculdades.

Cinsa: cor do séu quando xove.

Maxista: comunista que bate em mulher.

Reação incadeia. como em ‘Quando a reação incadeia, sai da frente.’

Persona Non Grátis: aquele sujeito que, nem de graça, sabe?

Apóstrofos: amigos de Jesus, que participaram daquela jantinha que o Michelângelo fotografou.

Insplicar: fazer o outro entender com muita inspiração.

Disconcordo: o ato de mudar da ideia concordativa para a disconcordativa.

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A Resposta ao Fanatismo

Carlos Saul Duque

Li estes dez mandamentos liberais no Brain Pickings e achei tão sensacional que resolvi traduzir e colocar aqui no blog. Eles foram escritos pelo filósofo britânico Bertrando Russel (1872 – 1970) que, como diz a wikipedia, foi “um popularizador da filosofia, respeitado por inúmeras pessoas como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade.”

Antes de me acusarem de “Liberal!”, leiam. Embora um pouco exagerado, é um chamamento à razão.

A resposta ao fanatismo: liberalismo.
Bertrand Russel

Talvez a essência de um futuro liberal possa ser resumida em um novo decálogo, que não tem a intenção de substituir o original, mas apenas complementá-lo. Os dez mandamentos que eu, como professor, desejaria promulgar, deveriam ser mais ou menos assim:

1. Não tenha certeza absoluta de nada.

2. Não pense que valha a pena prosseguir escondendo evidências, porque toda evidência com certeza vira à luz.

3. Nunca tente desencorajar as pessoas a pensar, pois é certo que você terá êxito.

4. Quando encontrar oposição, mesmo que esta venha do seu filho ou do seu cônjuge, trabalhe para dobrá-la através do argumento e não pelo autoritarismo, pois uma vitória baseada na autoridade é irreal e ilusória.

5. Não tenha respeito absoluto pela autoridade de outros, pois sempre haverá autoridades no contrário a serem descobertas.

6. Não use a força para suprimir opiniões, mesmo que você as ache perniciosas, pois desta forma serão as opiniões que vão suprimir você.

7. Não tema ser excêntrico nas sua opiniões, pois cada opinião atualmente aceita um dia também foi excêntrica.

8. Busque mais prazer no antagonismo inteligente do que na concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, a primeira implica em um acordo muito mais profundo do que a primeira.

9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois tentar escondê-la sempre será muito mais inconveniente.

10. Não sinta inveja da felicidade daqueles que vivem no paraíso dos tolos, pois somente um tolo acha que isso é a verdadeira felicidade.

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O Conto do Churrasco

Carlos Saul Duque

Todo mundo sabe fazer compras para um churrasco, mesmo sendo marinheiro de primeira viagem. É fácil: carne sem osso para as mulheres, com osso para os homens; farinha, salsichão e coração de galinha para o aperitivo; pão e salada de batata para fazer uma base e diminuir o consumo de carne; salada verde e tomate para uma minoria que não vive sem; cerveja, refrigerante e água mineral.

 

O balanço perfeito entre os itens garante o sucesso do encontro gastronômico. Não pode faltar carne, não pode sobrar aperitivo, tem que ter cerveja suficiente para o dobro dos convidados. A quantidade de um item precisa ser balanceada com cada outro e assim tem-se um churrasco perfeito, com palmas para o churrasqueiro, fotos no feice e satisfação do querido público.

Fazer uma campanha integrada exige o mesmo tipo de lógica

Como se a gente fosse fazer um jantar para muitas pessoas e cada mídia fosse um ingrediente, é preciso ter um equilíbrio entre o on, o off e todos os BTL que possam ser incorporados à campanha, levando em conta o público-alvo e o seu consumo de cada canal de comunicação.

Porém, ah, porém, como diria Paulinho da Viola, ao contrário do imaginário popular, as mídias digitais não reduzem orçamentos. Muito pelo contrário: fazer comunicação realmente integrada, salvo raríssimas exceções, exige verba de verdade. E se geralmente o cliente fica encantado com o que é possível fazer integrando mídias, na hora de aprovar um orçamento desses a situação fica como churrasco que esqueceram de bater antes de servir: é puro sal grosso.

E muitas vezes uma simplificação perigosa acontece: “Vamos fazer só o online, que está ótimo!”

Ok, não tenho nada contra fazer apenas o online, ou o off, ou resolver o problema com promo ou seja lá o que for. Cada caso é um caso. Mas se a gente parte de uma campanha integrada, cortar meios e dedicar-se a apenas um deles é o que eu chamo de O Conto do Churrasco.

Se no meio da organização carnívora você resolve transformar o convescote em um salsichão dançante, você compra a mesma quantidade de salsichão? Claro que não, até os nerds sabem disso. Ao eliminar as outras carnes, compra-se mais salsichão para ninguém passar fome. Se as gurias resolveram que o ideal é uma picanha na tábua porque é mais light, a mesma coisa: quilos de picanha extra para a galera não falar mal do anfitrião.

Por isso, quando uma campanha integrada vira o salsichão dançante do online, a picanha na tábua do off ou mesmo a costela com farinha do promo, não adianta comprar apenas a mesma quantidade de mídia específica de um dos meios proposta no orçamento integrado, ou mesmo utilizar os recursos propostos para uma ação complementar em algo que se tornou o prato principal. Seu alcance vai ficar sem substância.

O Conto do Churrasco inutiliza campanhas. E, pior, desacredita as soluções apresentadas, na medida em que o fracasso é quase inevitável. E cliente escaldado, todo mundo sabe, tem medo de água fria.

Conto do churrasco proposto por agência é picaretagem. Aceito pela agência, é irresponsabilidade com o cliente e com o mercado. Pense nisso na próxima vez que você for escalado para organizar o churrasco da firma.

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